Brasil lidera ranking de pessoas afetadas por transtornos

Transtorno de Ansiedade Social (TAS) ou Social Anxiety Disorder (SAD) é um transtorno comum que atinge milhões de brasileiros, segundo dados da OMS de 2017, cerca de 9,3% da população brasileira é afetada por algum tipo de transtorno. O TAS geralmente começa a se desenvolver na infância/adolescência e caso não tratada de forma adequada, o quadro piora com o passar do anos.

A psicóloga Lia Clerot explica que, por possuir sintomas relativamente comuns, como ansiedade, medo e constrangimento de público, a maioria atingida pelo transtorno não procura atendimento médico. Sintomas esses que podem evoluir para suor extremo, tremores, diarreia, dor no estômago e náuseas, em dias ou semanas antes de algum evento que traga ansiedade. Tudo isso pode progredir também para ataques de pânico, Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC), depressão e até exclusão social.

“O TAS tem característica hereditária e pode se desenvolver mais facilmente em quem possui antecedentes familiares com o transtorno. Bullying na infância e/ou adolescência, traumas como abuso sexual, conflitos familiares ou ridicularização em público, também podem ser gatilhos para o desenvolvimento da fobia social”, explica Lia. Além disto, crianças tímidas estão mais propensas ao desenvolvimento da doença.

Para a especialista, é preciso estar atento às mudanças de comportamento dos filhos “Os primeiros sinais do SAD se desenvolvem logo na infância, crianças tímidas que preferem se isolar na escola e em casa, precisam de atenção especial dos pais. Nesse caso, é preciso estimular o contato da criança com novas pessoas e incentivá-la a criar amizades, desenvolver atividades que a impulsione a manter contatos público, mas de forma simples e discreta para que não assuste-a”. 

Lia dá dicas de como isso pode ser feito sem que a criança perceba “Esse contato com outras pessoas pode ser simples, peça para ela perguntar o preço a um vendedor de um brinquedo que lhe chamou atenção, ou de um doce na padaria. Insira ele aos amigos no colégio identificando outros alunos que possam ter algum gosto ou conversas em comum, como jogos, filmes ou desenhos”. A doença é controlada com medicamento e pode desaparecer com o uso correto da medicação, além do acompanhamento com o médico apropriado que deve ser constante.