O mapeamento foi realizado nos estados da Bahia, Maranhão, Mato Grosso, Minas Gerais, Paraíba, Tocantins e Quilombo Mesquita (GO)


A iniciativa está mobilizando representantes quilombolas de seis estados do país, mais o Quilombo Mesquita (GO), na realização de levantamentos de ações e instituições que atuam com a agricultura familiar. O objetivo é criar uma rede de apoio e identificar iniciativas que possam apoiar as comunidades enquanto produtoras locais. Atualmente, a agricultura familiar representa a maior fonte de renda dessas populações.

O mapeamento faz parte das ações do Diagnóstico Macro Situacional da Agricultura Familiar Quilombola, fruto da parceria entre Ecam Projetos Sociais, CONAQ e parceiros, desenvolvido para apoiar as comunidades quilombolas no acesso às políticas públicas, em suas atividades produtivas, que promovem a segurança alimentar e o equilíbrio ambiental, e em demais ações socioambientais.

O mapeamento foi realizado nos estados da Bahia, Maranhão, Mato Grosso, Minas Gerais, Paraíba, Tocantins e Quilombo Mesquita (GO) devido a necessidade de levantar dados sobre as dificuldades e potencialidades dentro das comunidades quilombolas, assim como compreender o que o governo e instituições têm a oferecer de fortalecimento no âmbito da agricultura familiar.

“Uma das nossas maiores dificuldades enquanto produtores quilombolas é o acesso à água e o pouco incentivo à produção, comercialização e demais processos, porque para uma comunidade desenvolver uma atividade produtiva, seja na agricultura familiar, seja em outros aspectos, precisa do apoio dessas instituições, por meio de seus projetos”, ressalta Josiel Ventura, representante quilombola do estado da Paraíba.

Dentro da iniciativa, os levantamentos foram realizados em duas etapas: no primeiro levantamento, cerca de 170 instituições foram mapeadas no âmbito federal e estadual – entre as instituições estão organizações governamentais e não governamentais, iniciativas privadas e movimentos sociais. Já no segundo levantamento, foram encontradas cerca de 270 ações de fortalecimento à agricultura familiar, entre projetos, políticas públicas, artigos e cartilhas.

“Com os dados coletados, conseguiremos entender a atual situação de produção da agricultura familiar quilombola, os processos e dificuldades enfrentados por essas populações. Um dos objetivos é que essas informações possam ser usadas como fonte de pesquisa para comunidades, movimentos e demais interessados”, explica Meline Machado, uma das coordenadoras da iniciativa.

Além de coletar e sistematizar as informações, a ação visa identificar e até mesmo criar uma rede de apoio entre as instituições, programas e ações, para deliberar sobre estratégias fundamentais que apoie os produtores quilombolas. “Esse mapeamento vai abrir horizontes para descobrir o que as comunidades produzem, quais são seus parceiros e quais as potencialidades existentes dentro de cada quilombo. Então a ação para nós, enquanto CONAQ, é muito importante porque vai ser fundamental pra gente criar um plano de gestão ambiental e territorial, de apoio à agricultura familiar” complementa Kátia Penha, coordenadora da CONAQ.

A previsão é que esses e outros dados sobre as comunidades quilombolas e suas atividades, estejam disponíveis no Centro de Documentação Quilombola Ivo Fonseca Silva, que será lançado neste semestre.