Acesso dá dicas de como se transformar na própria solução de pagamento

É uma realidade necessária para atender à nova realidade dos meios de pagamentos no país

06/08/2020 –

Hoje os empresários já sabem que precisam oferecer a melhor experiência e relacionamento aos clientes para crescerem nos segmentos. Entretanto, mais do que campanhas de marketing e testes de UX, é preciso investir em recursos que otimizam a jornada e facilitam o processo de compra. O preço pode ser vantajoso, o produto, de qualidade, mas, se na hora de pagar o consumidor tiver algum problema, certamente vai pensar duas vezes antes de comprar novamente. Com o avanço da tecnologia e o surgimento do banking as a service, é possível adquirir ferramentas customizadas ao negócio, tornando a própria solução de pagamento.

É uma realidade necessária para atender à nova realidade dos meios de pagamentos no país. De acordo com a pesquisa Febraban de Tecnologia Bancária 2019, realizada pela consultoria Deloitte em parceria com a Federação Brasileira de Bancos (Febraban), três a cada cinco transações bancárias são feitas em canais digitais, seja pelo smartphone ou computador. Além disso, os dispositivos móveis já ocupam a preferência dos usuários para a realização de transferências e pagamentos, com crescimento de 80% entre 2018 e 2019.

Essa já é uma realidade comum à maioria dos consumidores. Nos últimos anos, as pessoas puderam observar uma grande melhoria no nível de serviços em vários nichos: transporte com Uber, comunicação com WhatsApp, hospedagem com Airbnb, entre outros. Esse movimento de disrupção finalmente chegou ao sistema financeiro com neobanks e fintechs. Eles trouxeram novas experiências de consumo de crédito, seguro, investimentos e, claro, soluções de pagamento. Além disso, ter a tecnologia como aliada por meio da integração via APIs facilita o teste de novas funcionalidades, tornando possível criar um melhor relacionamento com o usuário final bem como soluções mais customizadas.

O conceito do banking as a service é um exemplo desse novo momento. Ele representa uma nova linha de receita ao parceiro, maior eficiência operacional, redução de custos e até uma estratégia para melhorar o nível de fidelidade com o cliente. Isso porque, em vez de contratar soluções financeiras de terceiros, a organização pode adquirir ferramentas desenvolvidas de acordo com o próprio modelo de negócio. Com um serviço de boletos, por exemplo, é possível gerar lucro nas transações, redução de custos e ruídos com o processo, gerando mais engajamento dos consumidores.

Evidentemente esse é um movimento novo que exige cuidados por parte das empresas. Ainda há grandes desafios para popularizar o modelo, como os tecnológicos e regulatórios, além do gap de conhecimento em relação ao modelo de negócios. Criar um banco do zero e habilitar serviços a terceiros requer expertise não apenas de produto, mas de operação. A boa notícia é que as empresas já perceberam essa necessidade. Há uma demanda crescente dos próprios clientes de instituições financeiras para aumentar o portfólio de serviços com conta digital, transferência, boletos e até crédito.

O banking as a service é um sucesso nos mercados europeu e norte-americano e representa uma oportunidade enorme de mercado em nível nacional devido à facilidade de escalonar o modelo por aqui. O Brasil ainda tem um público bastante desassistido em termos de serviços financeiros, o que é um grande mar azul para a entrada de novos players. A partir do momento em que as empresas descobrirem as vantagens e, principalmente, os clientes tiverem as melhores experiências de pagamento, certamente vão se transformar em uma necessidade estratégica para todos.

*Davi Holanda é CEO da Acesso Soluções de Pagamentos, empresa brasileira líder em tecnologia bancária e serviços financeiros, emissão, processamento e gestão de cartões e contas digitais.