Coletivo nacional CoronaVIDAS.net cria rede para fabricação de EPIs para profissionais de saúde em todo o Brasil. Idealizadores querem ampliar a rede de produção e buscam apoio junto à sociedade civil, empresários e gestores públicos

Conectando pessoas para salvar pessoas. Esse é o lema da rede de solidariedade e trabalho voluntário CoronaVidas.net que tem como objetivo criar hubs – comunidades virtuais – em todo o Brasil para a fabricação de Equipamentos de Proteção Individuais (EPIs) – protetores faciais – que reduzem os riscos de contaminação dos profissionais de saúde da rede pública. Todo o material produzido pelo projeto será doado às unidades de saúde dos respectivos hubs criados.

O CoronaVIDAS.net é uma iniciativa que reúne um coletivo de profissionais de diferentes áreas como: engenharia, saúde, comunicação, educação dispostos a trabalhar para salvar vidas usando o conhecimento, a internet, a tecnologia e uma boa dose de responsabilidade social, compaixão e amor ao próximo para vencer a guerra contra o coronavírus. De acordo com Ricardo Komatsu, médico clínico e geriatra, voluntário no CoronaVIDAS.net – hub de Marília, em São Paulo, na crise de saúde pública provocada pelo Covid-19, a escassez de equipamentos de proteção não é uma particularidade brasileira e é um problema em todas as partes do mundo. “O uso de protetores faciais passa a ser uma alternativa de segurança para os profissionais de saúde, uma vez que esses face shields – nome dos protetores faciais em inglês – também desapareceram do mercado”, contextualiza o especialista em epidemiologia pela Unifesp.

De acordo com a infectologista e pediatra Isabele Medeiros de Lucena, os protetores faciais são fundamentais para proteger os profissionais de saúde e reduzir os riscos de contaminação: “Esses protetores reduzem os riscos de contaminação e aumentam a vida útil da máscara N-95. Além disso, os protetores faciais ampliam a proteção aos profissionais de saúde. Precisamos preservar quem está na linha de frente desse combate – médicos, enfermeiros, maqueiros – e os protetores faciais cumprem bem essa função, podendo ser reutilizados se lavados com água e sabão e limpos com álcool 70%”.

Fundado no dia 25/03, até o dia 30/03 (segunda-feira), o CoronaVIDAS.net conta com, aproximadamente, 300 voluntários e está implementado na Bahia, São Paulo, Rio de Janeiro e Amazonas. “Fundamos o CoronaVIDAS.net para conectar pessoas para salvar vidas de pessoas e nossa expectativa é conseguir implementar o projeto em todos os Estados, garantindo que essa rede se multiplique nos municípios. A pandemia tem exigido uma tomada de decisão rápida e uma postura criativa frente aos desafios que está impondo à sociedade. Nesse momento em que temos de ficar separados – isolados socialmente – estaremos juntos, de mãos dadas, trabalhando coletivamente, mas com uma unidade que pretende vencer essa guerra”, explica o idealizador do projeto Antônio Cordeiro, professor do Instituto Federal da Bahia (IFBA) e diretor da Unopar Candeias.

“A iniciativa do CoronaVidas.net é muito nobre e precisamos replicá-la nos grandes centros para darmos conta de atender a demanda brasileira que deve ser crescente nas próximas semanas e meses”, atesta o clínico e geriatra, Ricardo Komatsu, que também é professor doutor da Faculdade de Medicina de Marília (Fanema) e voluntário em iniciativas para reposição de EPIs.

O coordenador do projeto e professor da Universidade Federal do Oeste da Bahia (UFOB), Leandro Brito, conta que a iniciativa de produzir os protetores faciais surgiu no projeto Face Shield for Life 3D que abrange a capital baiana e regiões metropolitanas. “Entendemos que o Brasil precisa se unir, que os conhecimentos e esforços precisam estar descentralizados para que mais pessoas possam se beneficiar. Precisamos levar saúde e salvar vidas e o nosso desafio é fazer essa rede crescer para atender todos os Estados do Brasil”, contextualiza Leandro Brito.

De acordo com o doutor em Modelagem Computacional e Tecnologia Industrial, qualquer município brasileiro pode se engajar no trabalho voluntário e participar da rede de solidariedade que é o CoronaVIDAS.net. “Oferecemos todas as orientações e condições para que novos hubs possam ser criados. Queremos que a ideia de levar saúde para todas as regiões do Brasil ‘contamine’ cada brasileiro. Nossa meta é a produção de 2 mil unidades diárias de protetores faciais entre o processo de fabricação com impressora 3D e o processo de fabricação por plástico injetado”, salientou Leandro Brito.  

Quer ajudar?

Tempo, dedicação, amor, solidariedade e compaixão. Esses são os ingredientes para que qualquer pessoa contribua com o projeto CoronaVIDAS.net. Para doação de recursos financeiros, o projeto CoronaVIDAS.net Bahia, onde teve início o projeto CoronaVIDAS.net, conta com uma vakinha virtual que tem como meta a arrecadação de R$ 50 mil. “Estamos buscando parceiros – makers que tenham impressoras 3D em todos os municípios do país – empresas privadas na área de fabricação de plástico, da metalurgia para fabricação de moldes, de empresas no ramo de logística para distribuição dos EPIs produzidos, do apoio de gestores públicos para isenção fiscal para empresas doadoras de insumos, por exemplo. Nossa meta é entregar 200 mil protetores faciais para a Bahia”, explicou o coordenador do projeto, professor do IFBA, Fábio Barreto. Ele destacou, ainda, o importante papel desempenhado pela imprensa, por jornalistas e pelos amigos do CoronaVIDAS.net nas redes sociais. Para se voluntariar, basta clicar aqui.

Ventiladores mecânicos

Outra frente de trabalho do projeto é o desenvolvimento de ventiladores mecânicos para serem usados quando o paciente entra na unidade médica com insuficiência respiratória. Antes da pandemia, esse equipamento custava, no mercado, em torno de R$ 40 mil, todavia, hoje o preço médio, quando encontrado para venda, varia de R$ 80 a 130 mil. “Estamos estudando a melhor maneira de fornecer os ventiladores mecânicos de baixo custo para os hospitais públicos. Temos um time de pesquisadores do CoronaVIDAS.net se dedicando em tempo integral para desenvolver esse equipamento que, posteriormente, será doado à rede hospitalar”, explicou Fábio Barreto.

A médica infectologista Isabele Medeiros de Lucena explica a importância de ampliar a oferta de respiradores para a rede de saúde: “Cerca de 80% da população pode apresentar a doença de forma leve, 20% pode evoluir para uma forma moderada e grave e, dentre esses 20%, 5% dos pacientes podem desenvolver a insuficiência respiratória. São esses pacientes que vão precisar de um respirador para ventilação mecânica. Os pacientes com Covid-19 apresentam um tempo de permanência prolongado no hospital e necessitam permanecer no respirador, em média, por três semanas. Com o aumento da demanda, o sistema de saúde não dará conta da quantidade de pacientes que necessitem de respiradores”.

Mais informações:

Site: www.coronavidas.net

Instagram: @coronavidasoficial

Materiais de divulgação estão disponíveis: https://drive.google.com/drive/folders/1WK5FV5RnqEKQ322nO1rdCPmUteZU4-uD?usp=sharing

Fontes: Coordenadores do projeto CoronaVidas.net

Leandro Brito – UFOB 71 9 8101-0030
Fábio Barreto – IFBA 71 9 9665-8090

Antônio Cordeiro – IFBA 71 9 99337-2043

Informações adicionais podem ser obtidas pelo e-mail [email protected]

Release produzido por Fernanda Vasques Ferreira em 30/03/2020

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